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China rejeita pedido da UE para limitar exportações de automóveis híbridos

China rejeita pedido da UE para limitar exportações de automóveis híbridos

A China rejeitou um pedido da União Europeia (UE) para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos para o mercado europeu, numa altura em que Bruxelas e Pequim procuram evitar uma nova escalada das tensões comerciais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto:Américo Roberto - EPA

 

Segundo avançou hoje o jornal Financial Times (FT), citando dois diplomatas informados sobre as negociações, a Comissão Europeia pondera agora impor unilateralmente limites temporários às importações de veículos híbridos chineses.

O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, inicia hoje uma visita de dois dias a Pequim, durante a qual procurará alcançar, pelo menos, um acordo que permita reduzir o crescente excedente comercial da China com a UE e evitar a adoção de medidas punitivas.

A proposta inicial de Bruxelas previa que Pequim aceitasse limitar as exportações de automóveis híbridos a cerca de 15% do mercado europeu, contra mais de um terço atualmente, sob pena de enfrentar medidas de retaliação, incluindo um aumento das tarifas.

No entanto, responsáveis europeus informaram na quarta-feira os Estados-membros de que a China rejeitou a proposta, segundo o FT.

A Comissão Europeia está agora a estudar a aplicação de uma medida temporária de salvaguarda comercial, que pode ser adotada mesmo sem provas de práticas comerciais abusivas.

O mecanismo permitiria estabelecer uma quota de importação de veículos chineses, sujeitando os automóveis que ultrapassassem esse limite a tarifas adicionais elevadas.

O objetivo de Bruxelas é definir um volume de importações que Pequim possa aceitar informalmente, evitando uma resposta retaliatória.

Contudo, a medida teria também de abranger outros parceiros comerciais, incluindo o Reino Unido, a Coreia do Sul e o Japão, que receberiam quotas proporcionais aos respetivos volumes históricos de exportação para a UE.

O aumento das exportações chinesas de veículos híbridos ocorreu depois de Bruxelas ter imposto direitos compensatórios de até 35% sobre os automóveis elétricos fabricados na China, acrescidos da tarifa habitual de 10%.

Pequim respondeu com medidas comerciais sobre produtos europeus, incluindo conhaque, carne de porco e laticínios.

Segundo o FT, responsáveis europeus consideram que as negociações em Pequim serão um fracasso, caso não seja encontrada uma solução para o aumento das importações de automóveis híbridos.

A UE considera insustentável o défice comercial com a China, que atingiu cerca de mil milhões de euros por dia.

A Alemanha e a França apresentaram esta semana um documento conjunto a exigir uma resposta mais firme da Comissão Europeia às práticas comerciais chinesas.

Berlim e Paris alertaram para um "choque industrial maciço" que está a afetar setores vitais para as economias europeias, incluindo as indústrias farmacêutica, aeroespacial, automóvel, química e de máquinas-ferramentas.

Os dois países defenderam a criação de um novo instrumento que permita restringir rapidamente o acesso de determinados produtos ao mercado europeu, considerando que tal mecanismo poderia também dissuadir eventuais retaliações chinesas.

Um terceiro diplomata citado pelo FT manifestou ceticismo quanto às possibilidades de sucesso das negociações.

"Se houvesse uma resposta fácil, já a teríamos encontrado. Estamos a pedir-lhes que mudem todo o seu modelo económico", afirmou.

As conversações deverão abordar igualmente a diminuição das exportações europeias para a China, com Bruxelas a pressionar Pequim para reduzir as tarifas aplicadas a determinados produtos.

Outro ponto de discórdia são os controlos chineses à exportação de terras raras, ímanes e minerais críticos, essenciais para as indústrias automóvel, de tecnologias limpas e de defesa.

Segundo os diplomatas, cerca de 90% dos pedidos de licenciamento apresentados por empresas europeias foram aprovados pelas autoridades chinesas, embora o processo obrigue à divulgação de informações comerciais e industriais sensíveis.

Pequim exige que Bruxelas levante as sanções impostas a empresas chinesas acusadas de apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia e elimine restrições à exportação de tecnologias avançadas, incluindo equipamentos de fabrico de semicondutores da empresa neerlandesa ASML.

O Ministério do Comércio chinês afirmou no mês passado que se opõe firmemente às restrições voluntárias às exportações, considerando que estas violam as regras da Organização Mundial do Comércio e contrariam os princípios da economia de mercado e da concorrência leal.

 

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